Não sou o que vejo,
Mas o que sinto.
Nem corpo, nem espírito.
Apenas existo.
(Ou não?)
Quis ser humana e me senti incompleta.
Hoje tento ser poeta.
Já não quero a vida
e, muito menos, a morte.
Quero um transporte.
(Ou um transplante?)
Não existe mais para mim espaço ou lugar ou tempo.
Existe o momento.
Sou feita de sensações.
Não amo, só sinto.
Não minto, oculto.
Transmuto, não penso.
Sou um cometa perdido no espaço.
Faço aparições esperadas.
Sou desesperada esperança.
(Já fui criança.)
Fui estrela, mesa e botão.
(De rosa ou de camisa, não importa.)
Sou uma torta.
(De pêssegos, de preferência, ou na existência.)
Não caminho, levito.
Não falo, transmito.
Se tento escrever é que meu pensamento nunca foi entendido.
Então, digo e repito:
- Eu quero ser e ser.
(Muito provavelmente escrito nos idos dos 90. Se algum dia eu conseguir organizar meus textos, talvez encontre o original deste, datado, lugarizado, quem sabe destinado?)