quarta-feira, 6 de junho de 2012

Ainda a dor que me tortura


Chorei de saudade do amor que nunca tive
Não contive, não quis conter meu choro
Abracei fortemente meu corpo trêmulo
E me abandonei à dor

Minhas lágrimas incontroláveis borraram meu rosto
E com a ponta dos dedos
Desenhei minha nova face

E busquei em meus olhos um brilho desconhecido
Mas nada encontrei

E chorei, chorei como sempre
E mais uma vez me prometi felicidade
E mais uma vez busquei eu mesma
E mais uma vez me senti só

Se eu não me basto
Quem me completaria?
Se não me suporto
Quem me amaria?
Se não me amo
O que tenho a oferecer?

Sempre e de novo e mais uma vez
Eu sozinha
Com meu choro e minha dor

É noite de lua cheia
É minha fase de marés revoltas
E o pranto que lava minha alma
Transforma em borrão meu exterior

Sou a sombra do que jamais serei
E a quem posso agradar assim?
Quem verá neste rascunho
O que jamais vi em mim?

E sigo rasgando minha carne
Tentando arrancar à unha
A culpa que me consome
Concretizando em feridas
A dor que pe enlouquece

Insistindo em não morrer

[Poços de Caldas – 05/06/2012 – 0h40]

Primeiro Poema de Amer


E que vieste
Não é desagradável
E que dominaste
É compreensível

Mas que és incógnito
É contestável
Porque pareces muito
Com o amor que sempre sonhei

Não te conheço, não me sabes
E nossa história está a se construir
Com nossos medos
E nossas entregas
Com nossos desejos
E nossos risos
Com esta nossa entrega
Cheia de receios

Quem és, que me pareces tão certo?
Quem sou, que te entrego meus segredos?
Quem somos, que vivemos o desconhecido?
Por que questionar se já estamos vencidos?

E aqui estamos
Vivenciados
Adormecidos em mútua confiança
De riso fácil qual de criança
E de peles arrepiadas
Nos corpos unidos
Nas falas cadenciadas
De quem se entrega ao amor


Amor, Amer...
Que não nos magoemos.
É só o que peço
Enquanto te vivo
E me vejo viva

Agradecida por teu carinho
Mesmo que isso te aborreça

Acreditando que é possível ser feliz, eu te beijo.

domingo, 20 de maio de 2012

Eu viajo no aconchego do tempo perdido
Até aqui sofrido
Para me descobrir feliz e em paz

Eu vim uma
Eu volto outra
E a vida já não me atormenta
Eu me creio capaz

Quem sou eu?

Aquela que tanto pergunta
Encontrou respostas
No simples caminhar

Andar, andar em frente
Sabendo para onde voltar
Albergar meus medos e meus sonhos
Abandonar meus medos
E realizar meus sonhos
Encarar a vida e me aceitar!

terça-feira, 6 de março de 2012

Novidade que despenca

Vem na surpresa de um instante intenso
O que pode ser propenso pra se deixar estar
Não há a certeza do que traz esta novidade
E há o medo de ser mais uma falsidade

E a vontade de se jogar
De braços abertos
No profundo do que se deseja e o que se pode ter neste instante de magia

É alegria?
É nostalgia?

É o quê?


Só a novidade
Que vem pra trazer esse alarde
De coração que bate mais forte
E quase se deixa
Acreditar de novo
Que o amor existe
E que pode acontecer

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Antes de olhar as fotos
Em que eu estou gorda
Com mais brilho na cara [cadê meu pó-de-arroz???]

Vejo a pasta
Que minha sobrinha criou
E fico feliz por ver que ela usou maiúsculas e acento

E me sinto feliz...

Como se tudo pudesse ser salvo por uma bela ortografia...
Como se tudo não estivesse perdido pelo excesso de literatura...

Como se eu realmente estivesse me reencontrando...

Deus!

Que bom!
Eu estou viva!


E sei que gosto disso!

E quase gosto de mim!
Mas sei, acima de tudo, que posso gostar de mim!

Bia

Bia...
As lágrimas que até aqui não permiti
Liberdade ganham agora...
Bia...
Toda a minha história me veio te olhando

Como se realmente fosses
A filha que não pari

A luz dos meus sonhos
E você toda inteira
Na história quebrada que eu nem vivi

Você ali
Dizendo
"Tia Babi"

E eu sentindo, percebendo
Assumindo
Que eu vivi

Já não me cabe a morte
Mesmo que eu tente
Você contradiz só por ser

Bia...
Sabiamente
Você me abriu os braços

E no aconchego do teu carinho
Eu percebi

Que de nada mais preciso
A não ser me assumir

E então choro
Ouvindo Kid Abelha
Mas dando risada
Agradecida
Pela vida que ainda posso viver!

Venho Vindo

Venho vindo
De levinho
Caminhando na ponta das sapatilhas
Que jamais calçarei
Eu bailarina das letras perdidas
Virando cambalhotas
Na barra que papai fez no quintal

Uma nova cicatriz na face
Eu a faço pela ausência das rugas
Que meu sofrer não me põe

E meu livro jamais escrito
Permanece desentitulado
Nos versos que insisto em escrever

Eu toda de novo
Eu quase amanhecer
Eu insistindo
Tentando
Já não deixando lágrima alguma correr

Eu poeta
Eu linha dura
Eu cara de pau
Eu escrevendo na madrugada
Eu curtindo música antiga
Eu de novo toda viva

Este repetir que me faz rir

De alegria

Eu dizendo bom dia!

Eu gostando de estar aqui

Eu agradecendo a vida
Que me faz insistir