quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Então não te vejo

Então não te vejo
Mas ainda persistes em mim
Na busca que evito
Nas palavras que solfejo
Nas canções que não mais dedilhas


E todas as notas
Sudoradas em minha derme
Entregam meu insonar
Enquanto dormes nos braços que não são os meus

A madrugada vem trazendo as nuvens
E ocultando a lua
Que iluminaria a criação do esmo

Mesmo que eu fosse tua
Agora
Nossa hora já se passara
E ainda que escancarada nossa porta esteja
Nós já saímos

Tua volta é certa
Minha alegria é certa
Incerta é a vida

Eu não te vejo
E nas noites mal dormidas
Eu te desejo

Enquanto não te vejo
Ainda embalo
O ensejo que nos trouxe até aqui

Eu não te vejo
Tu não me vens
E insistimos em nos manter

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Saudades apenas

Algo que expressasse
Além da vontade clara
A rara alegria
De momentos inconformes

A distância entre as idéias
Os ideais dispersos
As alegrias nos carinhos
As poucas palavras

Saudades apenas
E tudo ao contrário
Acontecendo à deriva
E os incontestes deprezos

Vontade de ser outra
De viver pelo avesso
De me perder nas risadas
E nunca
Nunca mais derramar lágrimas

Nada a dizer
Porque tudo é incompreensível
Saber que sua fala não tem valor
Deixar que a vida escorra
E ao tentar solucionar
Perder-se
No amor que ainda resta
Mostrar-me
Estrangular a saudade
E esmagar a risada
Saber-me distante de tudo
E querer-me perto
Deixar que o tormento apazigúe
O resto do que se quer
E a raiva danada
De não ser compreendida
Nem aceita

Porque as verdades ditas
São deturpadas
E aquele a quem se ama
Renega-me - escracha o meu amor

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Visão

Eu te vejo em mim
Em meio às telas
Entrelinhando os textos
Rasgado em mim
Concertando meus contextos
Adivinhando minhas entranhas
Acondicionando-te aos meus desejos
Desvairado em plena calmaria
Tempestuando meus desacertos

Eu te vejo assim
Chegando na despedida
Apaziguando as guerras em mim há tanto contidas

Eu te vejo nos desassombros
Eu te vejo nas gelosias
Eu te vejo cravando as unhas
Eu te vejo na calmaria

Eu te vejo na minha história
E neste meu estar represo
Eu te vejo no meu transbordar
E também te vejo no que esqueço

Eu te vejo
E tua visão
Impõe-me o medo
De quem não quer se entregar
Mas que já vive pedindo arreglo
E no temor de te ver
Eu vejo nossa história
A se desenhar em nossas fugas
A percorrer nossas memórias

E te vejo todo em mim
E me vejo na perdição
E entendo tua chegada
E estendo a minha mão
Para que possamos assim tão juntos
Continuar nossos enredos
E permanecer atentos
Em nosso lindo desassossego

Eu te vejo em mim
E em ti me vejo

(Em nossa primeira noite depois de tantas noites juntos... – 04/11/2009 – 01h41’)