segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Choro

Quantas lágimas...

Por que as lágrimas não me lavam?
Por que tantos me odeiam?
Por que alguns me amam?

Eu choro tanto por mim

E choro pelo que não sou
E choro pelo que não mostro
E choro pela dor suprema
De ser só eu

Eu que me escondo
Eu que me mostro outra
Eu que não me suporto
Eu que não me mato

Eu que vivo
Eu que sobrevivo

Eu que convivo
Com este ser

Repugnante
Que a todos afasta
Que não tem amigos
Que nao tem casa

Que não tenho hora
Que sou autora
Dessa farsa

Eu que lambo o sal
Que me refresca
E que me acorda
Pra mim mesma

Eu que choro
Na madrugada
E que acordo acreditando

Eu que passo o dia
Me matando

Eu que me odeio
Eu que escondo
O que eu mesma
Me pergunto

Eu que não sumo
Eu que não morro
Eu que vivo
Pedindo socorro

Eu que não me escuto
Eu que não me entrego

Eu que me quero
E que me absolvo

Eu que permito
E questiono

Eu que aceito
Minha pequeneza

Eu que não tenho certezas


Eu que sofro
Eu que choro
E choro muito

E não me lavo
E ainda sinto

Eu que quero
E não me perdoo

Eu que esqueço
E me atordoo
Com a vida mesma

Que me permito

Eu que sou só isso

Eu comigo

Na dor, na dor, na dor

Chorando e implorando
Para que amanhã seja melhor

Eu que basto

Nenhum comentário:

Postar um comentário